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TURISOL

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Princípios

Texto: Bárbara Munhoz e Cecília Zanotti (2010)

A pesquisa que embasa os princípios aqui descritos foi feita junto a 6 organizações de turismo comunitário que já trabalham com as suas próprias definições. As organizações são: Associação de Moradores da Prainha do Canto Verde, Instituto Terramar, Associação de Agroturismo Acolhida na Colônia, Associação Projeto Bagagem, Cooprena Costa Rica e Redturs.

Os princípios foram reunidos em 11 temáticas principais e um ou dois exemplos foram citados para cada temática. Para conhecer a lista completa dos princípios de cada organização, veja abaixo:

PRODUTO TURÍSTICO OU ATRAÇÃO TURÍSTICA É O MODO DE VIDA

A principal atração turística é o modo de vida da comunidade, ou seja, sua forma de organização, os projetos sociais que faz parte, formas de mobilização comunitária, tradição cultural e atividades econômicas. (Projeto Bagagem)

 


TURISMO É INSTRUMENTO PARA O FORTALECIMENTO COMUNITÁRIO E ASSOCIATIVO

A atividade só é viável quando construída sobre uma base associativa, ou seja, o sucesso individual está condicionado a sustentabilidade do ambiente que o cerca. (Acolhida na Colônia)

 

PARTICIPAÇÃO – A COMUNIDADE É PROPRIETÁRIA, GESTORA, EMPREENDEDORA DOS EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS

Somos conscientes de que el turismo puede representar una fuente de oportunidades y, a la vez, una amenaza para la cohesión social de nuestros pueblos, su cultura y su hábitat natural. Por ello, propiciamos la autogestión de dicha actividad, de tal suerte que nuestras comunidades asuman el protagonismo que les corresponde en su planificación, operación, supervisión y desarrollo. (REDTURS)
 


O TURISMO É UMA ATIVIDADE COMPLEMENTAR A OUTRAS ATIVIDADES ECONÔMICAS JÁ PRATICADAS

El turismo debe complementar apropriadamente nuestra economía comunitaria y familiar, potenciando el desarrollo de la agricultura, la pesca, la artesanía, la pequeña agroindustria, el transporte y otros servicios. En esta óptica, queremos explorar todas las iniciativas productivas sostenibles que contribuam con el desarrollo económico local e generen empleo nuevo y de calidad en nuestras comunidades y en su entorno. (REDTURS)

 

DISTRIBUIÇÃO JUSTA DO DINHEIRO E TRANSPARÊNCIA NO USO DOS RECURSOS
Geração e distribuição de renda eqüitativa, praticando preços justos, satisfazendo comunidade e turistas, além de promover a distribuição da renda entre os moradores locais. (Instituto Terramar)

 

VALORIZAÇÃO CULTURAL E AFIRMAÇÃO DA IDENTIDADE

As atividades são criadas para proporcionar intercâmbio cultural e aprendizagem ao visistante. Não se trata de apresentações folclóricas da cultura popular, e sim de atividades que fazem parte do cotidiano que o turista vai experimentar. Estamos falando de reconhecer o valor dos mestres da cultura oral no turismo e proporcionar uma reflexão sobre a própria identidade no visitante. (Ação Griô Nacional e Projeto Bagagem)

 

RELAÇÃO DE PARCERIA E TROCA ENTRE O TURISTA E A COMUNIDADE

O turista é visto como um parceiro e não como um cliente. (Acolhida na Colônia)

 

QUESTÃO FUNDIÁRIA – O TURISMO AUXILIA NA LUTA PELA POSSE DA TERRA PELA COMUNIDADE

Promueve la tenencia de la tierra por parte de los pobladores locales; Cooprena Costa Rica.

A maioria das comunidades que já fazem parte da rede no Brasil usam o turismo comunitário como instrumento para defesa dos direitos à propriedade da terra. (Prainha do Canto Verde)

CONSERVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

O turismo respeita as normas de conservação da região e procura gerar o menor impacto possível no meio ambiente, contribuindo com os projetos de manejo sustentável de recursos naturais, recuperação de áreas degradadas, utilização de energias renováveis, educação ambiental e destinação de resíduos sólidos. (Projeto Bagagem)

 

CADEIA DE VALOR FOCADA NO DESENVOLVIMENTO DAS COMUNIDADES – TODOS OS ELOS DA CADEIA CONTRIBUEM

Cooperação e parceria entre os diversos segmentos relacionados ao turismo de base local e deste com outras localidades com realidade semelhante e com potencial para a formatação de novos produtos e serviços. (Instituto Terramar)

 

ORGANIZAÇÃO E NORMATIZAÇÃO

Trabalha-se com regras, normas e padrões pactuados com os agricultores envolvidos, com sua associação, com o território e com os outros atores da rede. (Acolhida na Colônia)

Desenvolvimento de princípios e critérios para normatizar e regular os empreendimentos e processos turísticos atendendo a necessidade da base local. (Instituto Terramar)

PRINCÍPIOS POR INICIATIVA

 

Associação de Agroturismo Acolhida na Colônia

A novidade da proposta de agroturismo (Acolhida na Colônia) está no conjunto de princípios que o definem:
1. O principal produto turístico oferecido é o “modo de vida dos habitantes do meio rural”;

2. O turista é visto como um parceiro e não como um cliente;

3. A atividade só é viável quando construída sobre uma base associativa, ou seja, o sucesso individual está condicionado a sustentabilidade do ambiente que o cerca;

4. Os agricultores são os protagonistas e gestores das iniciativas e projetos, em função disso, recebem capacitações diferenciadas e tornam empreendedores e agentes de desenvolvimento;

5. As atividades do agroturismo têm que estar integradas a outras ações desenvolvidas no território;

6. Trabalha-se com regras, normas e padrões pactuados com os agricultores envolvidos, com sua associação, com o território e com os outros atores da rede.

7. Busca-se atribuir valor a produtos de origem cultural, ambiental, étnica, agropecuária etc.

8. Tem como um de seus princípios a busca da construção de uma economia baseada no escopo dos produtos oferecidos (variedade e qualidade) e não simplesmente na escala (quantidade) dos mesmos.

 

Instituto Terramar e Rede Tucum

1. Princípios do turismo solidário e comunitário:

Projetos coletivos formais e informais, de base familiar, que fortaleçam a organização comunitária, contemplando as questões de gênero, de geração e de etnias, fundamentados nos princípios da sustentabilidade;

2. Diversificação econômica, incorporando técnicas inovadoras nas cadeias produtivas, por meio da inserção do turismo na perspectiva do desenvolvimento local e territorial integrado, compondo redes humanas e produtivas solidárias;

3. Planejamento e gestão comunitários, de modo a garantir a apropriação de todo o processo pelas organizações locais;

4. Atitude ética e solidária entre as populações locais e os turistas, traduzida nas relações comerciais, nos preços, nos intercâmbios culturais, na troca de experiências, nas transferências de habilidades e competências, nas atitudes etc;

5. Geração e distribuição de renda eqüitativa, praticando preços justos, satisfazendo comunidade e turistas, além de promover a distribuição da renda entre os moradores locais;

6. Constituição de fundos comunitários com parte dos benefícios advindos do desenvolvimento da atividade turística;

7. Valorização da produção, da cultura e das identidades locais e de uma economia solidária;

8. Cooperação e parceria entre os diversos segmentos relacionados ao turismo de base local e deste com outras localidades com realidade semelhante e com potencial para a formatação de novos produtos e serviços;

9. Desenvolvimento de princípios e critérios para normatizar e regular os empreendimentos e processos turísticos atendendo a necessidade da base local;

10. Turismo que ofereça alternativas para públicos específicos: consumidores conscientes, grupos dos movimentos sociais e da economia solidária; Turismo social (consumidor de diversos segmentos sociais, estudantes, idosos, portadores de deficiência, etc); Turismo cientifico, pedagógico, profissional.

 

Projeto Bagagem

1. Turismo da comunidade: comunidade deve ser proprietária dos empreendimentos turísticos e gerenciar coletivamente a atividade.

2. Turismo para a comunidade: comunidade deve ser a principal beneficiária da atividade turística, que existe para o desenvolvimento e fortalecimento da Associação Comunitária.

3. Atração Principal = Modo de Vida. A principal atração turística é o modo de vida da comunidade, ou seja, sua forma de organização, os projetos sociais que faz parte, formas de mobilização comunitária, tradição cultural e atividades econômicas.

4. Partilha Cultural: as atividades são criadas para proporcionar intercâmbio cultural e aprendizagem ao visistante. Não se trata de apresentações folclóricas da cultura popular, e sim de atividades que fazem parte do cotidiano que o turista vai experimentar.

5. Conservação ambiental: os roteiros respeitam as normas de conservação da região e procuram gerar o menor impacto possível no meio ambiente.

6. Transparência no uso dos recursos: comunidades e visitantes participam da distribuição justa dos recursos financeiros.

7. Parceria Social com Agências de Turismo: busca por envolver todos os elos da cadeia do turismo no benefício das comunidades.

 

Redturs (extraído da declaração de San José de Redturs, 2004)

1. Nuestra concepción del desarrollo turístico está sustentada en los valores de solidaridad, cooperación, respeto a la vida, conservación y aprovechamiento sostenible de los ecosistemas y la diversidad biológica que ellos encierran. En consecuencia, estamos contra cualquier futuro desarrollo turístico en nuestras tierras cuando éste conduzca a una carga intolerable para nuestra población, su cultura y el medio ambiente.

2. Aspiramos a que nuestras comunidades prosperen y vivan dignamente, mejorando las condiciones de vida y de trabajo de sus miembros. El turismo puede contribuir a concretar esta aspiración en la medida en que hagamos de él una actividad socialmente solidaria, ambientalmente responsable, culturalmente enriquecedora y económicamente viable. Para que esto último ocurra reclamamos una justa distribución de los beneficios que genera el turismo entre todos los actores que participamos a su desarrollo.

3. Somos conscientes de que el turismo puede representar una fuente de oportunidades y, a la vez, una amenaza para la cohesión social de nuestros pueblos, su cultura y su hábitat natural. Por ello, propiciamos la autogestión de dicha actividad, de tal suerte que nuestras comunidades asuman el protagonismo que les corresponde en su planificación, operación, supervisión y desarrollo.

4. El turismo debe complementar apropiadamente nuestra economía comunitaria y familiar, potenciando el desarrollo de la agricultura, la pesca, la artesanía, la pequeña agroindustria, el transporte y otros servicios. En esta óptica, queremos explorar todas las iniciativas productivas sostenibles que contribuam con el desarrollo económico local e generen empleo nuevo y de calidad en nuestras comunidades y en su entorno.

 

COOPRENA (Costa Rica)

El turismo rural comunitário se compone de experiências turísticas planificadas e integradas sosteniblemente al médio rural y desarrolladas por los pobladolres locales organizados para benefício de la comunidad. (ICT, PNUD, Alianza TRC 2005)

As seis características que o definem são:

1. Integra las riquezas naturales y la vida cotidiana de la comunidad rural.

2. Promueve las práticas productivas sostenibles dentro de la oferta turistica.

3. La experiencia turistica se adapta a ka dinamica rural y preserva la peculiaridad, rusticidad, el ambiente acogedor y confortable que caract5erizan la ruralidad del pais.
4. Se sustenta en la gestión y participación local, y fortalece la organización local en la que participan varias familias o toda la comunidad.

5. integra a la población local en esta actividad empresarial, distribuye equitativamente los beneficios y complementa los ingresos de las familias rurales.

6. promueve la tenencia de la tierra por parte de los pobladores locales.

(Extraído do Guía de Turismo Rural Comunitário, autora Leyla Solana, COOPRENA, Costa Rica)