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TURISOL

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Contexto

Texto: Maria das Mercês Torres Parente e Thaíse Guzzatti, com contribuições dos participantes dos Encontros da Rede Turisol de 2003 a 2005 René Shärer, Esther Neuhaus e Francisco Alemberg

 

O crescimento da indústria turística no Brasil e no mundo é um fato divulgado internacionalmente por agências governamentais, da sociedade civil e do terceiro setor. Dados da Organização Mundial do Turismo (OMT) demonstram que a indústria cresce a níveis altíssimos, gera mais de 10% do produto econômico global e criará um em cada dez empregos até o ano 2010 (WTO,1999). Tal crescimento, aliado a altas taxas de desemprego nos países em desenvolvimento e à necessidade de geração de divisas para atender os pagamentos de suas dívidas, provoca o aumento do interesse dos governos destes países no desenvolvimento do turismo.

 

Além disso, apesar de ser considerado como uma ferramenta para o desenvolvimento, o turismo gera impactos negativos na sociedade e ambiente onde se desenvolve, provocando maior exclusão social com a inversão de valores tradicionais, provocando centralização de poder; pode causar dependência econômica em uma atividade não-tradicional e, muitas vezes, sazonal; e pode causar danos à natureza que é sua própria base de recursos. No âmbito econômico, face ao fenômeno da globalização, liberalização dos mercados e privatização, a atividade também apresenta impactos negativos: as receitas advindas da atividade ficam concentradas em corporações que dominam o setor, os empregos gerados absorvem pouca mão-de-obra local, os investimentos públicos concentram-se na atividade e não priorizam outros setores mais tradicionais da economia local. Os benefícios atuais que finalmente chegam às pessoas nos destinos são mínimos comparados aos lucros das corporações transnacionais de turismo. Além disso, são as comunidades locais que sofrem com os custos de desenvolvimento do turismo em termos de impactos sociais, culturais e ambientais. No Brasil, políticas públicas voltadas para o desenvolvimento desta indústria incentivam seu crescimento.

 

Diante deste cenário, nasce um debate sobre o tipo de turismo desejável e sobre a necessidade de criação de novas formas de turismo, uma forma construída num modelo mais justo e eqüitativo, que leve em conta a sustentabilidade ambiental e que coloque a população local no centro do planejamento, da implementação e do monitoramento das atividades turísticas, permitindo a geração de emprego e renda para as populações locais. O debate de uma nova proposta de turismo ocorre na crítica ao modelo de desenvolvimento centralizador e excludente propondo um modelo que privilegie a inclusão por meio da igualdade de oportunidades.

 

Baseado nos princípios da economia solidária, o turismo comunitário ou solidário se mostra como alternativa aos projetos de turismo convencional. O turismo comunitário questiona o mito do turismo como gerador de emprego e renda e denuncia as políticas centradas na atração de investimentos que não levam em consideração a participação e o desenvolvimento das comunidades locais.

 

Experiências de projetos de turismo solidário e comunitário no Brasil têm revelado que na prática, as pessoas nos destinos turísticos podem se beneficiar mais da atividade turística. Estas experiências devem ser identificadas e divulgadas de forma ativa para trocar experiências afirmativas e contribuir com o desenvolvimento de estratégias para um turismo eqüitativo, centrado em pessoas, sustentável, ecologicamente correto, e que respeita os direitos das crianças e das mulheres.